Inovação social

 

O que é?

De acordo com a Comissão Europeia, a Inovação Social pode ser definida como o desenvolvimento e implementação de novas ideias (produtos, serviços e modelos) que respondam a necessidades sociais e que fomentem a criação de novas relações sociais e processos colaborativos. A inovação social, cujo objetivo principal é a melhoria da qualidade de vida, representa a emergência de novas respostas às cada vez mais expressivas necessidades sociais que afetam os processos de interação social.

Uma inovação social tem um cariz social não apenas no seu fim mas também nos meios que utiliza para o alcançar, tendo por este motivo um impacto positivo na sociedade e na capacidade de cada indivíduo para agir positivamente como elemento da mudança e da resposta a problemas concretos quotidianos. A inovação social assenta na criatividade dos cidadãos, das organizações da sociedade civil, das comunidades locais, das empresas e dos serviços, sendo uma oportunidade chave para o setor público (políticas públicas) e para o setor privado (empresas e serviços) uma vez que permite o desenvolvimento de produtos e serviços que satisfaçam as necessidades e aspirações de cada indivíduo e também das comunidades.

Quando se fala de inovação social falamos do processo através do qual são desenvolvidas novas respostas sociais capazes de alcançar melhores resultados. Este processo é composto essencialmente pelas seguintes etapas:

    1. Identificação de necessidades sociais novas/não respondidas/inadequadamente respondidas

    2. Desenvolvimento de novas soluções em resposta a essas necessidades sociais, as quais podem ser prototipadas ou ter uma experiência piloto

    3. Implementação e avaliação da capacidade e adequação das novas soluções desenhadas para responder às necessidades sociais

    4. Scaling up das inovações sociais

 

Desafios globais

A existência de problemas e mudanças sociais atuais acarreta novos desafios para a concretização de respostas, sendo este o cenário para os processos de inovação social. Face à análise do contexto atual e à importância de, com base nesse contexto, serem alavancadas novas respostas, o Guia para a Inovação Social da União Europeia (2013) definiu um conjunto de desafios emergentes:

DEMOGRAFIA: Migração e envelhecimento da população da EU

    • Migração: As Nações Unidas estimam que, em 2005, cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo vivam fora do seu país de nascimento. Um terço destes migrantes internacionais reside na Europa, a qual representa apenas 8% da população mundial.

    • Envelhecimento: A idade média na Europa era de 37,7 anos em 2003 e prevê-se que o aumento atinja os 52,3 anos em 2050 (Brookings Institution); Assim, a proporção de população reformada para população empregada na Europa vai dobrar para 54% até 2050 (FMI - Fundo Monetário Internacional).

QUESTÕES AMBIENTAIS: água, alterações climáticas e energia

    • 20% da água de superfície está em sério risco de poluição;

    • 60% das cidades europeias sobre-exploram os seus recursos de água subterrânea;

    • 50% das zonas húmidas estão ameaçadas de extinção;

    • O prejuízo anual da mudança climática, na economia da União Europeia (UE), em termos de perda do produto interno bruto (PIB) está estimado entre €20 bilhões de euros para um aumento de 2,5 °C e um cenário de 65 bilhões de euros para o cenário de 5,4 °C;

    • O apoio a projetos de autossuficiência energética considerando o seu potencial contributo para as metas europeias em matéria de economia de baixo carbono.

NOVAS TENDÊNCIAS NA COMUNIDADE: Diversidade e a nova comunidade de Tecnologias de Informação fornecendo novas soluções (sociedade digital)

    • 83% das empresas europeias com políticas de "diversidade" obtêm benefícios empresariais, nomeadamente ao nível da resolução da escassez de trabalho (42%) e reforço da reputação e do posicionamento na comunidade (38%);

    • 150 milhões de europeus - cerca de 30% - nunca utilizaram a internet. Este grupo é, em grande parte composto por pessoas com idades entre os 65 e os 74 anos de idade. Colmatar este fosso digital pode ajudar membros de grupos sociais desfavorecidos a garantir uma participação com maior igualdade na sociedade digital (incluindo em serviços de interesse direto para eles, tais como eLearning, eGovernment, eHealth), aumentar a sua empregabilidade e assegurar maiores padrões de qualidade de vida (Europa, Agenda Digital).

DIMENSÕES DA POBREZA: a pobreza, a exclusão social e a pobreza infantil:

    • A Europa é uma das regiões mais prósperas do mundo. Ainda assim a pobreza continua a ser um problema significativo, afetando cerca de 84 milhões de pessoas. Isto significa que, um em cada seis europeus vive abaixo do limiar da pobreza, com cerca de 7 milhões de pessoas a sobreviverem com menos de 5€ por dia (Comissão Europeia);

    • As crianças (0-17) têm uma taxa particularmente elevada de pobreza, atingindo os 25%, em comparação com 16,4% da população total (2010);

    • A pobreza também é frequente em grupos que enfrentam a exclusão social, especialmente a comunidade cigana, imigrantes, migrantes sem documentos, sem-abrigo, etc. (Comissão Europeia

SAÚDE E BEM-ESTAR: As desigualdades na saúde, felicidade e afetos

    • Em 2008, a indústria de cuidados de saúde consumiu uma média de 9% da receita do PIB nos países mais desenvolvidos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE);

    • As desigualdades de saúde em toda a União Europeia são inaceitavelmente grandes; incluindo nos países mais desenvolvidos, onde em alguns casos essa é uma tendência crescente.

BENS E SERVIÇOS ÉTICOS: O comércio justo local e produção

    • Os consumidores gastaram 4,36 bilhões de dólares em produtos de comércio justo, a nível mundial em 2010. Este valor representa um aumento de 28% em relação aos 3,39 bilhões de dólares gastos em 2009 (Organização Internacional do Trabalho (OIT)).