Oeste: Diagnóstico de Situação
 
Oeste no contexto Regional e Nacional
 
O território do Oeste encontra-se inserido administrativamente na Região Centro, apresentando, no entanto, forte relacionamento funcional e económico com a Região de Polarização de Lisboa e, em particular, com Área Metropolitana de Lisboa.

• O Oeste, do ponto de vista da Nomenclatura de Unidades Territoriais para fins estatísticos (NUTS) é uma região NUTS III, inserida em termos de NUTS II na região Centro. O Oeste sendo um território com raízes históricas e culturais muito marcadas, apresenta uma forte interligação funcional e económica com a Região de Polarização de Lisboa, delimitada no mapa seguinte.

• O Oeste é contíguo com as NUTS III Pinhal Litoral, Lezíria do Tejo e Grande Lisboa, apresentando uma faixa costeira entre Alcobaça (freguesia de Pataias) a Norte e Torres Vedras (freguesia de São Pedro da Cadeira) no extremo Sul.

• O Oeste ocupa cerca de 2.200 Km2 de área o que representa mais de 2% do território nacional e 8% da área total da região NUTS II Centro.

• Fazem parte da região do Oeste os concelhos de Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral,Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras.

• O Oeste apresenta um conjunto de boas infraestruturas de transportes, sendo atravessado pelos eixos rodoviários que fazem a ligação Sul- Norte e Este-Oeste (a A8 e a A15 respectivamente) e pelo eixo ferroviário “Linha do Oeste”.

• O posicionamento da região permite igualmente uma boa acessibilidade em termos de transporte marítimo, nomeadamente, através dos portos comerciais de Lisboa e da Figueira da Foz.


O Oeste no contexto da Região de Polarização de Lisboa (RP-LIS)
 

 
O Oeste é uma região com uma densidade populacional e empresarial elevada no contexto nacional. Os indicadores de nível de vida PIB per capita e o rendimento coletável registam valores inferiores às respetivas médias nacionais.

• Oeste ocupa 2,4% do território nacional e a sua população representa 3,4% do total do país, apresentando uma densidade populacional elevada (160,5 hab/km2, contra 114,8 hab/km2 no país) que a coloca na 11ª posição entre as 30 NUTS III.

• A região apresenta uma densidade empresarial relativamente elevada (4ª mais alta do país entre as 30 NUTS III), não obstante o PIB per capita é inferior ao do país (16ª mais elevado) e o rendimento coletável representa apenas 67,3% da média nacional (13ª região NUTSIII).

Dimensão do Oeste no contexto regional e nacional
 
 
A performance do Oeste no referencial de nível de vida medido pelo PIB per capita apresenta-se alinhada com o Centro mas inferior à média nacional e à Região de Polarização de Lisboa mostrando, por um lado, a tendência de litoralização do crescimento que ainda marca a região Centro mas, por outro, a dificuldade de consolidação de fatores competitivos avançados nomeadamente no quadro da inserção do Oeste na região mais dinâmica e desenvolvida do país.

PIB per capita
 
• O Oeste posiciona-se no ranking das NUTS III em termos de per capita na 6ª posição no conjunto das 12 NUTS da região Centro e na 16ª posição no contexto das 30 regiões nacionais.

• A recuperação do PIB per capita a partir de 2002 permitiu ao Oeste realinhar-se com a média regional e diminuir o gap face às regiões nas posições imediatamente acima no ranking de nível de vida da região Centro (Beira Interior Sul, Médio Tejo e Baixo Vouga).

A dinâmica de crescimento do Oeste – alinhada com a região Centro e superior à média nacional – garante-lhe um posicionamento confortável no grupo das regiões com um nível de vida intermédio no seio da região Centro.

PIB per capita e Taxa de Crescimento do PIB per capita, 2004
 
 
• O PIB per capita no Oeste cresceu 16% entre 2000 e 2004 face aos 15% de média nacional, destacando-se assim das regiões que lhe estão mais próximas no ranking de nível de vida médio (Médio Tejo, com um crescimento de 15%, Beira Interior Sul com 14% e Baixo Vouga com 12%).

• As taxas de crescimento mais elevadas registam-se nas regiões que partem de um patamar mais baixo, destacando-se no entanto duas exceções:

- O Baixo Mondego concilia um nível de vida superior à média nacional com um assinalável crescimento nos últimos 4 anos.

- Por outro lado, é particularmente gravoso o posicionamento da Cova da Beira que, a par com algumas regiões do Norte como o Ave e o Tâmega, consolida o atraso face ao registo nacional.

O nível de produtividade do Oeste, ainda que ligeiramente superior ao da região Centro, revela as dificuldades de inserção na região polarizada pela capital, particularmente face a regiões vizinhas que apresentam de um sistema de centros urbanos mais dinâmico e inovador.

Produtividade e taxa de utilização dos recursos humanos, 2000 e 2004
 

 

• O Oeste surge assim na fronteira entre as regiões dinamizadas por pólos urbanos como Leiria/Marinha Grande, Figueira da Foz, Coimbra e Aveiro e as regiões do interior mais marcadas pelas tendências de desertificação e envelhecimento, tanto em termos de produtividade como taxa de utilização dos recursos humanos.

• A trajetória do Oeste nos últimos 4 anos é semelhante à das regiões mais desenvolvidas do Centro, em que os avanços em termos de produtividade face à média nacional mais do que compensam os ligeiros recuos da intensidade de utilização dos recursos humanos decorrentes do duplo envelhecimento da população portuguesa.

O Oeste apresenta um nível de exportações per capita relativamente modesto face aos valores observados para a média nacional e para a região Centro, evidenciando desempenhos muito diferenciados a nível dos diferentes concelhos.

Exportações per capita
 
 
• O indicador exportações per capita assume no Oeste um valor duas vezes inferior ao da média nacional, revelando uma dinâmica de crescimento recente que fica também ligeiramente aquém da média nacional.

• É evidente uma grande variabilidade concelhia, com os maiores valores a registarem-se nos concelhos de Alenquer e Alcobaça.

• A retração verificada no período em análise de forma mais intensa nos concelhos de Alcobaça e Caldas da Rainha foi contrabalançada pelo desempenho positivo dos concelhos de Alenquer e Peniche.

Os mecanismos de redistribuição do rendimento em acção no Oeste revelam um défice de capacidade de redução das fragilidades económicas e sociais evidenciadas por um valor do PIB per capita inferior à média nacional.

Rendimento colectável per capita
 

 
• A diversidade territorial desta região, com impactos em questões relacionadas com o dinamismo económico, especialização produtiva, dinâmica empresarial, concentração e dispersão da população, espelha-se no ranking de rendimento coletável:

- Se, por um lado, os concelhos de Arruda dos Vinhos e Caldas da Rainha registam um rendimento coletável superior a 80% do referencial nacional, por outro, no Cadaval, Bombarral e Lourinhã o registo é inferior a 60% da média do país.

O posicionamento do Oeste em termos de poder de compra, mais favorável do que segundo a perspetiva do PIB pc, indicia a inserção de alguns concelhos numa região de polarização enquanto espaços preferenciais de consumo, numa lógica de atração da população que trabalha na Área Metropolitana de Lisboa.

Índice de poder de compra, 2005
 
 
• Destacam-se em particular os concelhos de Caldas da Rainha, Nazaré, Alenquer, Peniche, Arruda dos Vinhos e Torres Vedras entre os 75 concelhos do país com poder de compra mais elevado.

• Os concelhos de Bombarral e Cadaval demonstram as maiores dificuldades de inserção nas tendências de desenvolvimento da região.

O Oeste apresenta-se como um território bastante atrativo em termos populacionais resultado da dinâmica nacional de concentração populacional em torno dos grandes centros urbanos do litoral e do movimento de esvaziamento dos espaços centrais da Área Metropolitana de Lisboa.

Taxa de atração / repulsão populacional, 2001-2005
 
 
• O Oeste apresenta uma taxa de atração de 5,31%, consideravelmente superior à taxa de atração da região de referência (Região de Polarização de Lisboa) e da própria região Centro.

• Nazaré é o único concelho com capacidade de atração líquida negativa (i.e. território repulsivo em termos demográficos) consequência de ser o único a apresentar um saldo migratório negativo que por conseguinte agrava o efeito de envelhecimento populacional que se verifica em 8 dos 12 concelhos do Oeste (apenas Alenquer, Arruda dos Vinhos, Caldas da Rainha e Torres Vedras apresentam saldos fisiológicos positivos).

• Alenquer, Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço apresentam as maiores taxas de atração do Oeste, consequência da proximidade a Lisboa e da disponibilidade de boas acessibilidades rodoviárias (A8 e A1).



in Estudo Técnico elaborado por Augusto Mateus e Associados – Sociedade de Consultores, Oeste – Programa Territorial de Desenvolvimento 2008-2013, Abril 2008, pág. 171-176